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  • Foto do escritorLeticia Capuruco

Exercícios físicos podem melhorar a criatividade?

Em 2016, a neurocientista Wendy Suzuki, autora de “Healthy Brain, Happy Life”, escreveu em Quartz que a prática de exercícios físicos não somente reduz o estresse, concentra a mente, aumenta a produtividade e melhora a memória, mas também há evidências de que o exercício pode nos ajudar a ser mais criativos. O esporte pode ajudar as pessoas a criar novas ideias e muitos pesquisadores o usam como intermediário para pensar criativamente.


Muitos de nós querem tocar um instrumento ou desenhar como forma de favorecer nosso fluxo criativo, mas estas não são tarefas fáceis. No entanto, de acordo com Suzuki, as mudanças cerebrais induzidas pelo exercício que podem ser responsáveis por melhorar a memória também podem melhorar a imaginação.


O escritor Haruki Murakami é um notável devoto da corrida e escreveu um livro sobre o assunto.É sabido que a prática de exercícios, especialmente exercícios aeróbicos, estimula o aumento de algo chamado Fator Neurotrófico Derivado do Cérebro (BDNF), que incentiva o crescimento de novas células cerebrais no hipocampo. Pesquisas indicam que a constante prática de atividade física aumenta a produção do BDNF gerando uma melhoria na memória, nas funções executivas e na saúde em geral.


“O Fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF) é um membro da família de proteínas homólogas conhecidas como neurotrofinas, e tem um papel central no desenvolvimento, fisiologia e patologia do sistema nervoso; como também em processos relacionados à plasticidade cerebral como a memória e o aprendizado” (Yamada et al., 2002).


Algumas pesquisas realizadas nas universidades de Hertfordshire e Stanford, mostraram que a prática de exercícios pode aumentar sua criatividade. Quando colocados para realizar simples exercícios como caminhadas e corridas leves em ambientes diferentes, a imaginação do cérebro foi estimulada e, portanto, a criatividade.


O potencial de criatividade pode ser estimulado de forma positiva através de experiências exploratórias em ambientes abertos. (Cropley, 1995). Estudos mostram que a amplitude da percepção e atenção se mostram um fator necessário para a criatividade e são extremamente importantes apontando uma relação positiva entre a amplitude da atenção e o pensamento criativo (Hamsen et al, 2000).


Um estudo publicado pela Frontiers in Human Neuroscience demonstrou que a pratica regular de exercícios nos ajuda a ser mais criativos e que existe um link direto entre corpo e mente criativa .

A constante busca e desenvolvimento de alternativas e novas ideias para soluções de situações inerentes ao jogo relaciona-se diretamente com o repertório criativo do jogador. Aquele jogador que não tem ideias inovadoras ou que apresenta reações facilmente identificadas pelos adversários acaba por não ser um jogador que apresenta riscos. A criatividade tem de superar a falta de recursos, sejam eles físicos ou até mesmo financeiros e estruturais. A criatividade e a inteligência tática dos participantes são colocadas a prova a cada momento do jogo.


“Eu tento não pensar em nada especial enquanto corro. Na verdade, eu costumo correr com a mente vazia. No entanto, quando eu corro de mente vazia, algo naturalmente e abruptamente engatilha em algum momento. Isso pode se tornar uma idéia que ajude-me com minha escrita.”


A criatividade não chega à maioria de nós como um enorme fluxo de idéias ilimitadas, mas como um pequeno fio de pensamento ou algumas gotas de inovação. O pensador criativo, então, aproveita essas gotas e as usa criando oportunidades de ela fluir e crescer até que elas avancem com a força de um rio poderoso.


Um estudo de 2014 realizado por cientistas da Universidade de Stanford mostrou que caminhar melhora significativamente certos tipos de esforços cognitivos envolvidos na criatividade, especificamente o pensamento convergente, como a capacidade de encontrar soluções para um problema e o pensamento divergente, que envolve a concepção de ideias originais abertas.


Toda vez que algum especialista ou acadêmico faz uma declaração de que “chegamos ao limite do possível”, um grande atleta de ponta ou treinador nos transforma em bobos. Embora seja provável que existam alguns limites para o que o corpo humano é capaz, estou absolutamente certa de que não há limites para o que a mente humana é capaz de fazer.


Pensar e agir de maneira diferente é tornar possível o que os outros pensam ser impossível.



Imagem 1 : diferentes exercícios físicos podem trazer ganhos mentais específicos

O desempenho no esporte está em constante movimento. Atletas e treinadores buscam incansavelmente novas idéias, avanços em pesquisa, novas práticas de coaching, maneiras alternativas de preparar os atletas, melhores maneiras de fazer as coisas. Por qualquer definição, o esporte é por natureza um empreendimento criativo.


Procuramos sempre estabelecer novos limites, fazer o que nunca foi feito antes, alcançar novos horizontes e redefinir o que é possível e, assim que o fizermos, iniciaremos imediatamente o processo de melhoria do que alcançamos. O esporte, de fato, pode, em muitos aspectos, ser considerado uma forma de arte.


Portanto, o sistema de treinamento e jogos também deve estar montado para explorar, deve estar aberto as relações com o ambiente em que é praticado e com a dinâmica em que está inserido. Para Hristovshi et al. (2011, p. 187):


…a atividade exploratória é fortemente dependente do conjunto de restrições impostas ao conjunto de graus de liberdade do sistema de ação. Essa observação implica que, durante os programas de treinamento, nenhuma lista explicitamente prescritiva de ações possíveis precisa ser fornecida de antemão ao intérprete, para que ele possa realizá-lo. A capacidade de exploração do sistema satisfaz o critério mínimo de criatividade, sugerindo que uma solução de desempenho não deve ser explicitamente imposta ao intérprete por um agente externo, por exemplo, na forma de um movimento (ou técnica) alvo a ser aprendido por um treinador.


Em síntese, os autores destacam que a restrição as ações dos atletas limitará a capacidade do atleta criar. Fornecer listas de ações previamente planejadas em determinado momento pode limitar a capacidade do atleta e do técnico de criarem, seja nos treinamento ou nas competições. Principalmente, quando pensamos nos sistemas complexos no esporte e jogos.


Na realidade, o esporte é , e tem que ser, uma indústria muito criativa para os atletas, treinadores e profissionais esportivos. É preciso dizer que há uma desvantagem para aqueles que não praticam exercícios físicos regulares . Enquanto esse efeito ocorre em atletas e praticantes de exercícios com algum preparo físico, para aqueles que não praticam exercícios físicos regularmente a fadiga que sentem após a prática de esforço nega o estímulo criativo, de modo que o efeito não é o mesmo. Isso obviamente se ajusta à medida em que que alguém se torna mais apto fisicamente .


Então, se você ainda precisa de alguma motivação para praticar atividades físicas, poderá pensar nos benefícios para a saúde do seu corpo. Mas se isso não for suficiente, considere o poderoso efeito que ele poderia ter na sua mente.


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