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  • Foto do escritorLeticia Capuruco

Como mudar a mentalidade e o uso de técnicas no vôlei

Texto Originalmente publicado no Linkedin Geraldo Maciel Neto

FIVB LICENSED Volleyball Agent Muitas vezes, por mais experiente que o atleta seja, ajustes em sua mentalidade ou tipo de técnica podem fazer a diferença para resultados não só dentro de quadra, mas também na constante construção de uma carreira sólida e consistente. Porém, nem sempre este é um caminho fácil.


Para falar sobre o assunto, entrevistei a psicóloga esportiva Letícia Capuruço que trouxe dicas de como colocar em prática, técnicas que podem contribuir para uma mudança positiva para o atleta e toda a sua equipe.

“Existem dois perfis de atletas: aquele mais experiente, que acha que não precisa de orientação, e aquele que, mesmo com uma carreira sólida de conquistas, acredita que pode ser ainda melhor. O atleta que acha que já tem conhecimento suficiente, dificilmente vai escutar uma orientação do técnico, tampouco buscar ajuda com mudança de mentalidade. Já aquele que busca evolução constante vai ouvir, filtrar e colocar em prática o que julgar que faz sentido. Ele também estará aberto para as mudanças de pensamentos e derrubada de crenças”, iniciou Letícia.

Um exemplo vivo do que a psicóloga explicou é a atleta Thaísa, bicampeã olímpica, que teve a carreira dada como finda por vários do meio do voleibol depois de uma grave lesão e que hoje é uma das jogadoras mais valiosas do vôlei mundial. “Thaísa é extremamente aberta às orientações da CT e buscou um coach esportivo para quebrar crenças e limitações que a impediam de crescer, ou seja, quem escuta sempre ganha!”, afirma a psicóloga.

De acordo com a profissional, a primeira coisa que o treinador precisa entender é que sua equipe vai ser o espelho do que ele é. “Pode parecer pequeno, mas educação, gentileza e, especialmente, uma comunicação clara são fundamentais nesse processo”, explica. É sabido que os comportamentos dos técnicos são determinantes para o bem-estar psicológico, aprendizagem e rendimento dos atletas e que suas ações têm forte impacto sobre o comportamento dos atletas e a cognição e resposta afetiva dos jogadores. Isso quer dizer que o comportamento do treinador influencia diretamente a aprendizagem e resultados obtidos.


Para estabelecer uma mentalidade de crescimento em toda a equipe, todos os jogadores devem acreditar que podem melhorar aprendendo novas habilidades e praticando, e que seu aprimoramento será valorizado. “Eu entendo que treinar atletas em habilidades mentais não é responsabilidade do treinador, e nem deveria ser. No entanto, uma vez que as habilidades mentais são tão críticas para o sucesso da equipe, é fundamental ter algumas ferramentas para ajudar os atletas com suas habilidades mentais”, conta Letícia.

Boas práticas A psicóloga trouxe algumas boas práticas que podem ser levadas em consideração por técnicos que estão neste processo de mudança de mentalidade de seus atletas. São elas: ● Conheça seus atletas como pessoas. Isso traz muita confiança e respeito; ● Mostre confiança em sua linguagem corporal positiva - cabeça erguida, ombros para trás e andar ereto; ● Modele a resiliência se recuperando quando as coisas não saem do seu jeito; ● Cultive a motivação interna e incentive seus atletas a pensar sobre o seu caminho. Isso os ajuda a desenvolver seus próprios objetivos de prática a curto prazo e realistas; ● Ajude os atletas a desenvolverem uma linguagem mais positiva em torno de suas habilidades - “Não consigo fazer isso” pensando “se continuar trabalhando, vou melhorar”; ● Promova o esforço, a intenção e o crescimento em vez de se concentrar apenas em vencer, zero erros e perfeccionismo; ● Divirta-se na prática e permita que os atletas se divirtam também; ● Permita que seus atletas participem do processo de tomada de decisão e saia do hábito de contar, de perguntar e discutir. Quando questionada sobre de que forma um técnico pode fazer algumas interferências sem atingir a autoconfiança do atleta, Letícia acrescentou: “adicione 'ainda' ao seu vocabulário. Lembre aos atletas que embora eles possam não ter ainda, eles chegarão lá com esforço, tempo e prática”. Compartilhar exemplos de vida real do crescimento de outros atletas ao longo dos anos também pode ser uma boa ferramenta. Outro exemplo citado por Letícia foi a jornada de Michael Jordan, que saiu do basquete escolar para se tornar um dos melhores jogadores da modalidade no mundo.


Algumas outras dicas são: ● Incentive-os a aceitar um desafio semanal com metas realistas e desafiadoras. Faça-os desenvolver um plano de ação de como devem completar o desafio com sucesso; ● Reformule os erros e falhas, vendo-os como experiências de aprendizagem. Eduque os atletas sobre a importância do fracasso e dos erros no processo de crescimento; ● Forneça elogios e feedback com foco no aprendizado e no crescimento ao invés de resultados. Ao fornecer feedback, concentre-se no esforço que seus atletas fizeram e no crescimento que alcançaram. Evite fazer comparações entre atletas, pois é mais benéfico para eles comparar seu último desempenho com o atual. Faça com que eles se concentrem em superar seu recorde pessoal, em vez de apenas vencer; ● Preste atenção ao que você critica. Se você quiser enfatizar uma mentalidade construtiva, critique a falta de esforço e disciplina do atleta, não sua habilidade; ● Incentive-os a se concentrar em seu plano de ação e no esforço que estão fazendo para alcançar um resultado. Isso ajudará a manter os atletas focados e no momento; ● Incentive seus atletas a fazerem um balanço após cada treinamento ou jogo. O que funcionou? O que não funcionou? E faça com que desenvolvam um plano de ação para melhorar isso.

Relacionamento entre atleta e técnico Treinadores de sucesso entendem que formar relacionamentos fortes entre treinador e atleta é tão importante quanto conquistar vitórias. Estabelecer relacionamentos com os atletas ajuda o técnico a entender o que motiva ou impulsiona cada indivíduo. Também destaca uma abordagem pessoal e cuidadosa por parte do técnico, demonstrando que o técnico vê o jogador como mais do que apenas um bilhete para a vitória. Além disso, criar um relacionamento com cada atleta ajuda a melhorar o moral geral da equipe, além de contribuir para que a equipe cumpra seus objetivos. É preciso lidar com resolução de problemas, paciência, compreensão e confiança mútua, e é o treinador que deve liderar a criação de vínculos dentro da equipe. Existem várias habilidades que os treinadores podem desenvolver que podem ajudá-los a formar laços fortes com seus atletas. Os exemplos incluem habilidades de comunicação, capacidade de usar reforço positivo, capacidade de ganhar confiança e disposição de se colocar à disposição de atletas que precisam de conselho ou incentivo. Um dos aspectos mais importantes da relação entre treinador e atleta é a comunicação. Com uma comunicação clara, os treinadores podem liderar, dirigir e gerenciar suas equipes com mais eficácia. Os treinadores de sucesso são mais do que apenas uma voz durante os treinos e no dia do jogo: eles são conselheiros e mentores nos quais os atletas podem confiar.

A importância do atleta atender às orientações e propostas de mudança “Em qualquer esfera da vida, se você mantiver as mesmas atitudes terá os mesmos resultados. Isso também acontece no esporte. Grandes atletas gastam menos tempo criticando seu treinador e mais tempo tentando fazer com que as ideias do treinador ganhem vida por meio de seu comprometimento e dedicação ao sucesso da equipe. Os atletas colocam muito tempo e energia no desenvolvimento de suas habilidades técnicas e níveis de condicionamento, mas virtualmente ignoram a parte mais poderosa do corpo: o cérebro! Nosso cérebro diz a nosso corpo como sentir e, em última análise, o que fazer. Imagine se o atleta tiver a capacidade de transformar sentimentos de ansiedade, dúvida e frustração em níveis mais elevados de confiança, concentração e resiliência. Esta é uma virada de jogo para a melhor performance”, finaliza Letícia.



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